Conquistas e retrocessos

Um projeto sonhado coletivamente tem peso, tem força e tem fé. É como já dizia Raul Seixas, um sonho que sonha junto é realidade. É realidade, antes mesmo de ser real. A conquista de um sonho que foi dividido entre tantas pessoas causa emoções múltiplas e todos os sentimentos são multiplicados. Recentemente a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Mama e Colo de útero de Campos Novos vivenciou esta experiência de alcançar um sonho que foi dividido entre tantas mulheres. É uma felicidade contagiante que atinge toda a comunidade que comemora e torce junto para que o trabalho da rede continue chegando a mais pessoas.

Todo ser humano é valioso perante a vida. Infelizmente em algum capítulo da história humana a mulher perdeu seu protagonismo e foi deixada de lado. Com os anos vimos o brilho de muitas delas se reacenderem. Entidades voltadas ao acolhimento e apoio as mulheres dão a elas mais segurança de seu papel como um ser humano de valor. Mesmo acometidas de uma doença tão maldosa, elas veem a oportunidade de ter um lugar em que elas são úteis e importantes. Obrigada, Casa Rosa, pelo papel que desempenham em prestigiar as mulheres da região. Parabéns pela conquista do terreno para a construção da sede própria, este foi sonho dividido com muitos camponovenses. A vitória é de todos!

A realidade deste pequeno município de cerca de 36 mil habitantes é um reflexo do que acontece no mundo? Enquanto o município comemora uma conquista como esta, do outro lado do mundo, mais especificamente no Afeganistão, no continente Asiático, milhares de mulheres sofrem em nome de uma tradição que as coloca como objetos e não como seres humanos. Em meio a tantas conquista e avanços tecnológicos, presentes em todo o mundo, vemos também um retrocesso absurdo. Com a tomado do país pelo grupo extremista do Talibã, possivelmente as mulheres perderão sua liberdade, seus direitos e seu valor. De acordo com a ONU a maioria da população afegã é formada por mulheres e crianças.

Estamos felizes com a realidade vivenciada no nosso município de valorização e incentivo as mulheres, porém lamentamos profundamente a triste e cruel realidade que poderá ser imposta a tantas mulheres no Afeganistão. Estamos longe de cada uma delas, mas bem perto em pensamento, desejando que este pesadelo possa acabar o mais rápido possível. Que um dia a humanidade se livre do pensamento opressivo, e que possa se ver como realmente é: seres humanos, independentemente de ser homem ou mulher.

Por: Priscila Nascimento, Jornalista

*Editorial publicado no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1690 de 19 de agosto de 2021.

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