Quem compra uma Ferrari geralmente fará questão de mostra-la. Quem compra um Uno mille talvez não tenha a mesma intenção. É um processo natural querer ostentar sempre o melhor. A Ferrari é uma marca que denota poder, riqueza, ou seja, quem a possui indica que é muito, mas muito bem sucedido. No caso de quem tem apenas um uno daí a história é um pouco diferente.
O exemplo é exagerado, mas já reparou que com os sentimentos acontece a mesma coisa? Como assim? Ora, escancaramos os mais belos sorrisos e esbanjamos a mais plena alegria para todos os lados, afinal ostentar felicidade, mesma que seja falsa, é sinal de que estamos bem, que a nossa vida é perfeita. Quem aqui não ama dar essa impressão? Já a tristeza escondemos a sete chaves, ela é como aquele Uno de segundo mão que o dono estaciona numa esquina bem longe só para garantir que ninguém o veja saindo dele. Ninguém assume.
Vamos experimentar apenas hoje ser quem somos, assumir nossas imperfeições, erros e tristezas. A ideia do editorial não é que ninguém coloque uma placa na testa escrito ‘Sou um fracassado’, pelo contrário, a proposta é que você busque acolhimento. Mostre seus sentimentos para quem você ama, quem você confia, e principalmente para quem quer o seu bem. Mostre sua dor, suas dúvidas, suas ansiedades e peça ajuda sem medo.
Em mais um Setembro Amarelo nós queremos levantar a bandeira do acolhimento. Acolha e seja acolhido e se acolha. Quando a alegria for genuína compartilhe- a aos quatro cantos, mas quando a dor surgir deixe fluir também. Não existem super homens ou mulheres maravilhas. Sejamos apenas pessoas reais num mundo real. Quantos sorrisos foram desperdiçados enquanto o choro foi segurado. Está tudo bem não estar bem. A vida tem muito valor. Não permita que o sentimento te mate por dentro. Grite, chore, surte, fique de cara feia, mas abra-se e mostre-se.
Por: Priscila Nascimento, Jornalista
*Editorial publicado no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1692 de 02 de Setembro de 2021.







